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December 16, 2005

As Crônicas de Nárnia: O Leão, A Feiticeira e o Garda-roupa

Arquivado em: Resenhas, Cinema

As Crônicas de NárniaAs “Crônicas de Nárnia” são uma série de sete livros escritos por C.S. Lewis. Assim como seu amigo J.R.R. Tolkien (autor da trilogia “O Senhor dos Anéis”), os livros de Lewis também seguem o gênero da fantasia medieval, mas com um apelo mais infantil e menos profundo que a trilogia do Anel. A Walden Media não fugiu do intuito original dos livros e fez um filme mais indicado para crianças (e seus pais) mas que provavelmente não vai desapontar aqueles que não estão procurando por um sucessor para “O Senhor dos Anéis” ou “Harry Potter”.

“As Crônicas de Nárnia: O Leão, A Feiticeira e o Guarda-roupa” (o primeiro livro escrito, mas o segundo na cronologia) conta a história dos quatro irmãos Pevensie, que são enviados de Londres para o interior da Inglaterra para evitar os ataques aéreos dos alemães durante a Segunda Guerra. Peter (William Moseley), Susan (Anna Popplewell), Edmund (Skandar Keynes) e Lucy (Georgie Henley) ficam na mansão do estranho Professor Kirke (Jim Broadbent) e durante uma brincadeira de esconde-esconde Lucy descobre um guarda-roupa em uma sala vazia que a leva ao mundo mágico de Nárnia.

Em Nárnia ela encontra o fauno (uma versão romana do sátiro grego) Senhor Tumnus (James McAvoy), que lhe conta que o mundo de Nárnia está em um inverno que já dura mais de cem anos, por culpa de Jadis (Tilda Swinton), a Feiticeira Branca, que se auto-proclamou Rainha de Nárnia. Após a conversa com o fauno, Lucy volta para a mansão e conta aos seus irmãos o que tinha visto, mas nenhum deles acredita no que a menina diz.

Os Irmãos PevensieDurante a noite, Lucy vai mais uma vez até o guarda-roupas e é seguida por Edmund até Nárnia. Ela vai procurar Tumnus, mas Edmund não a encontra quando atravessa o guarda roupas e termina conhecendo a Rainha de Nárnia, que o faz prometer que vai trazer todos os seus irmãos para ela. Edmund é aprisionado pela Rainha e seus irmãos se juntam com o povo de Nárnia para acabar com a tirania da Feiticeira e salvar Edmund.

O filme, assim como “O Senhor dos Anéis”, foi gravado na Nova Zelândia e tem locações incríveis, mas em vários momentos os efeitos especiais retiram o brilho das cenas pela falta de “realidade”. Em uma das cenas na qual as crianças estão viajando para Cair Paravel (a capital de Nárnia) é possível perceber claramente que eles não estão no topo da montanha. Mas esses detalhes não fazem do filme de todo ruim, pois em alguns momentos os efeitos especiais realmente ficaram soberbos, como os grifos que aparecem para ajudar na batalha contra o exército da feiticeira (os grifos bombardeiros :D ).

Os figurinos foram bem trabalhados, mas em alguns momentos fogem demais a realidade, como o elmo de Peter durante a grande batalha, que tem visores para os olhos tão pequenos que é praticamente impossível conseguir enxergar alguma coisa usando-o. As roupas e armaduras também não costumam apresentar aparência de uso, como sujeira ou sangue (que praticamente não aparece no filme).

Entre os personagens, as crianças praticamente não se destacam (sendo a primeira vez em papéis importantes de quase todas, menos Anna Popplewell) e apenas a feiticeira Jadis, o Professor Kirke e Aslam (que foi dublado por Liam Neesom) tem interpretações dignas de nota, mas que não chegam a chamar muita a atenção.

Mesmo com os seus problemas, o filme é uma ótima escolha pra quem procura uma aventura leve e com menos violência e combates do que o de costume, especialmente para as crianças. As histórias de Nárnia também tem um fonte senso cristão, os humanos em Nárnia são conhecidos como Filhos de Adão (para os homens) e Filhas de Eva (para as mulheres) e o leão Aslam faz um papel que lembra o de Jesus Cristo, mas as referências não chegam a ser fortes o suficiente para atrapalhar a história do filme.

Quer um conselho? Não espere encontrar “O Senhor dos Anéis”, “Crônicas…” segue a mesma linha fantástica, mas o faz de uma maneira completamente diferente da trilogia de Tolkien.

December 3, 2005

Herói - Ying Xiong

Zhang ZiyiCores. Cores fazem o mundo gritar no silêncio e a sua ausência pode fazer um grito silenciar-se. Enquanto o ocidente ainda busca de todas as maneiras imitar a harmonia das cores na natureza, o oriente sabe se aproveitar dessa beleza, montando um mundo de sonhos. Assim é “Herói” de Zhang Yimou.

A história se passa na China antiga, em uma época quando estava divida em sete reinos. O rei de Qin (Chen Daoming), o maior de todos os reinos, estava a dez anos sendo ameaçado por ataques e por três assassinos dos reinos rivais, Espada Quebrada ( Tony Leung Chiu Wai ) , Céu (Donnie Yen) e Neve Que Voa (Maggie Cheung), porque ele queria unificar todos os reinos em um só e desejava até ir além disso, reunindo ainda mais terras sobre o seu poder.

Jet-LiCerto dia surge Sem Nome (Jet-Li), um magistrado de uma cidade pequena do seu reino, com as três armas dos assassinos vencidos em combate. Ele conta ao rei a história de como conseguiu vencer os três, mas o rei contesta as histórias. Todo o filme se passa em flashbacks sobre o que o rei e Sem Nome contam.

O filme é, assim como O Clã das Adagas Voadoras, um deleite para os sentidos. As cenas fluem com uma naturalidade incrível e as cores utilizadas contam uma história aparte dentro do próprio filme. Diferentemente de “O Clã…”, onde existe uma predominância do verde, em “Herói”, a cada flashback uma cor é escolhida como base, para aumentar ainda mais o simbolismo e a mensagem passada pela cena. As cores escolhidas foram vermelho (paixão), azul (amor), verde (juventude), branco (verdade) e preto (morte).

ExércitoAlém do tratamento especial para as cores, as lutas também são uma maravilha a parte, mostrando as produções americanas (leia-se: Star Wars) como é que se faz um verdadeiro balé com espadas, lanças e flechas. Nos combates não existe apenas a preocupação com os personagens envolvidos, mas também com o lugar onde a luta está acontecendo, como a luta entre Lua e Neve que Voa, onde as folhas se espalham para todos os lados, criando uma sensação de força mas ao mesmo tempo de harmonia. Não se engane pensando que o filme é uma seqüência de lutas sem sentido, os guerreiros são tão sensíveis quanto qualquer ator de dramas famosos em Hollywood e mostram amor, ódio, sacrifício e traição no decorrer do filme, sem em nenhum momento soarem forçados ou piegas.

FlechasFechando a perfeição vem a caracterização, especialmente as roupas “frouxas”, de tecidos espaçosos, que conferem um movimento solto, preenchendo a tela de uma forma diferente. Além disso existe a sempre presente música oriental, que, também diferentemente de “O Clã…”, aparece mais como música ambiente, a não ser em momentos específicos, como a incrível luta de Céu e Sem Nome.

Mais uma vez, não á ao cinema esperando um enlatado americano, muito menos um épico cheio de lutas entre exércitos, o filme é uma luta entre dois homens, duas consciências em lados opostos, que se digladiam com palavras em uma luta honrada pelo bem de um povo.

O que é que você ainda está esperando? Vá ver o filme!

November 29, 2005

World of Darkness 2.0

World of Darkness 2.0Eu não botava muita fé no novo World of Darkness (WoD) da White-Wolf. Inicialmente porque era “febre” no mercado de RPGs lançar versões “atualizadas” de livros “não muito antigos”, como a Wizards fez com o D&D 3.5. O outro motivo era porque eu tinha (ainda tenho, na verdade) todos os antigos livros básicos (até mesmo Wraith: The Oblivion) e não via necessidade de comprar versões revisadas sendo vendidas como “novidade” pra fazer dinheiro.

Então depois de pensar um bocado e avançar cada vez mais pro fim de uma campanha de mais de 2 anos de D&D, resolvi arriscar. Saí pela internet buscando informações, resenhas, perguntando em listas de discussão e as respostas eram praticamente as mesmas: “mudou demais”, “são novos jogos”, “pouca coisa sobrou dos antigos”. Isso já era reconfortante, já que eram jogos que não tinham relacionamento com suas versões anteriores (pelo menos não um relacionamento direto) as chances de ser apenas uma revisão eram pequenas.

Comprei o “quarteto fantástico”, os quatro livros base, World of Darkness, Vampire: The Requiem, Werewolf: The Forsaken e Mage: The Awakeing. Todos os livros tem um acabamento maravilhoso, capas duras com efeitos brilhantes e texturas diferentes, arte interna incrível e as clássicas “histórias” dos livros da série Storyteller que sempre dão um chame diferente ao livro.

Agora que eu terminei de ler o primeiro livro (o World Of Darkness), pude perceber o avanço incrível que a White-Wolf conseguiu com a unificação do sistema. O foco dos novos jogos não é mais em “fins-de-mundo-que-um-dia-vao-acontecer”, mas na sobrevivência hoje, em um mundo perigoso e onde poucos são confiáveis. As novas regras são mais simples (e valem igualmente para todos os “monstros” do WoD), com uma ressalva apenas para o combate e os danos, que ficaram um pouco mais complexos, mas nada que vá atrapalhar a sua vida jogando.

O livro (como livro básico de regras) faz bem o seu papel introdutório ao sistema e ao cenário (você ganha até uma pequena parte sobre fantasmas, que traz características do antigo Wraith) e só com ele você já pode começar as suas campanhas. Uma idéia interessante dessa nova incarnação do WoD é começar jogando com personagens puramente “humanos”, sem pertercer a nenhuma facção de criaturas sobrenaturais.
World Of Darkness - Chicago - The Wind CityO livro indica que uma abordagem para a introdução ao jogo é o jogador começar como uma pessoa comum, que não conhece as verdadeiras forças por trás dos acontecimentos e vai tomando conhecimento do mundo ao seu redor lentamente, até que finalmente ele pode despertar como uma criatura sobrenatural (vampiro, lobisomem, mago e etc) ou continuar apenas como um humano que “sabe demais”. Esse modo de jogo vai até facilitar a integração do personagem e do jogador ao novo mundo, já que ambos não conhecem as novas realidades do WoD.

O novo WoD realmente me surpreendeu e eu estou apenas esperando o término da campanha atual de D&D pra começar uma campanha de WoD. A idéia inicial é usar o cenário de campanha “Chicago: Wind City” em uma campanha de mortais que vão virar lobisomens (os Uratha), mas daqui pra lá podem haver mudanças no lugar (que pode terminar se passando aqui em JP mesmo) e até mesmo as criaturas, vai depender do que eu tiver lido daqui pra lá =D






















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