Últimas Palavras

November 28, 2005

Dando fim nas coisas velhas

Arquivado em: Música, Livros

Angra - FireworksUma coisa que eu nunca esperava fazer na minha vida era dar fim em coisas que eu não estou mais usando, até mesmo as que eu não gostava de usar. Sempre fui muito apegado as “minhas coisas”, mas parece que finalmente criei vergonha na cara e comecei a vender uns livros velhos que eu não uso mais, tanto de RPG como de programação.

Lembro que uma vez vendi o Fireworks do Angra pra Josa, porque eu tinha comprado ele na mesma época que comprei o Legendary Tales do Rhapsody. Era o meu primeiro disco do Angra e eu não tinha me agradado muito, especialmente porque eu havia gostado muito mais do disco do Rhapsody. Então, vendi o disco, mas em menos de uma semana eu me arrependi do que tinha feito e saí procurando o Fireworks por aí , até que finalmente encontrei ele lá na Música Urbana (uma loja de usados daqui).Rhapsody - Legendary Tales

Até hoje, o Fireworks é um dos discos do Angra que eu menos ouço, mesmo com ótimas músicas como “Lisbon” (que eu quase me rasguei de cantar no show do Shaaman) e “Wings of Reality”, mas como tinha aquela história de “completar a coleção”, eu tinha que ter ele aqui também. Coisa de metaleiro de primeira viagem =-)

Acho que agora eu estou mais desapegado dessas coisas, afinal são anos de vida e muito cacareco junto (quando a câmera digital chegar eu tiro uma foto das várias estantes de livros e revistas pra quem não viu ainda…). A venda dos livros que eu não uso mais já é um passo pra renovar isso né, mesmo que a grana resultante seja pra comprar ainda mais livros de RPG e informática =D

November 21, 2005

A mídia "faz" o artista?

Arquivado em: Música

Esse texto é de um trabalho da universidade, mas eu gostei tanto dele que ele vai cair aqui também =D

A pré-fabricação de artistas pela mídia ou por agentes da indústria cultural é uma prática antiga, mas os exemplos mais comuns (e também mais descarados) são as “boys bands” ou “girl groups”. Esses grupos, que surgiram entre as décadas de 50/60 (mas com registros que datam de 1920), são uma das maiores demonstrações do poder que a mídia e a indústria cultural têm sobre a população e não apenas em países subdesenvolvidos onde a população não tem acesso a educação de qualidade, mas também em países desenvolvidos.

Sendo formados por entre três a seis artistas do mesmo sexo, tocando música pop (as vezes chamada de “pop chiclete” ou “bubblegum pop”) e com uma preocupação exacerbada com a imagem dos artistas. O público alvo desses grupos são adolescentes e a única preocupação é com a “rentabilidade” do grupo, a qualidade musical não é do interesse dos seus criadores, apenas a quantidade de dinheiro que pode ser feito.

Na maioria das vezes, os membros desses grupos pré-fabricados não podem produzir músicas próprias, todas as músicas são criadas pela equipe de produção e algumas vezes até mesmo outros artistas são chamados para “cobrir” falhas ou alguma incapacidade dos integrantes do grupo. Essa impossibilidade de produzir músicas próprias gerou até mesmo conflitos entre a banda e os seus produtores, como o caso do famoso grupo latino Menudo, onde o integrante Robby Rosa deixou o grupo porque os produtores não aceitaram a sua composição. Ironicamente, Robby tornou-se o compositor por trás dos grandes sucessos de Rick Martin (que também foi seu companheiro na época de Menudo) e trabalha com ele até os dias atuais. Apenas algumas poucas encarnações da fórmula realmente puderam produzir suas próprias músicas, como os grupos The Monkeeys e NSYNC.

Os grupos formados dessa maneira costumam ter um início de carreira meteórico, com vendas em alta e muitos shows, mas poucos são os que conseguiram ir longe na carreira e menos ainda o que continuam na ativa. Assim como o seu público cresce e busca por novos ídolos, esses grupos terminam por cair no esquecimento ou sobrevivem como ilustres desconhecidos no mundo da música, onde não contam mais com o apoio dos seus “criadores”. Um exemplo recente desse comportamento é o “girl group” Spice Girls, que fez sucesso entre 1996 e 2000. Após alguns lançamentos de pouco sucesso em 2000 o grupo se desfez e suas integrantes seguiram em carreira solo, mas nenhuma chegou próximo ao sucesso internacional do grupo.

Músicos e grupos pré-fabricados são um dos grandes entraves para o surgimento de novos artistas na cena musical nos nossos dias. Para uma gravadora é mais barato contratar artistas desconhecidos, que na maioria das vezes não tem experiência, vender alguns milhares de discos e depois descartar o grupo. Existem até mesmo boatos sobre maus tratos e pagamentos não condizentes com o sucesso do grupo, como os boatos que correram sobre o grupo nacional Bro’z, onde circularam notícias sobre um depoimento de um dos membros da banda reclamando do comportamento dos seus produtores e o baixo salário que eles recebiam.

Essa cultura “descartável” é um reflexo da própria sociedade de “descartáveis” e produção em massa onde vivemos. Assim como a industria tradicional produz itens que tornam-se obsoletos ou desinteressantes em pouco tempo (como computadores e roupas) para que a população possa continuar consumindo os “novos” produtos (mesmo que eles apenas tenham uma “capa” diferente, como vários celulares), a indústria cultural também está produzindo cultura descartável, que tem “data de validade” para deixar de ser utilizada. Ao mesmo tempo em que vários grupos deixam de existir, surgem outros para tomar o seu lugar e manter vivo o círculo vicioso do controle da indústria cultural sobre o que o povo deve ou não consumir.

Para novos artistas ou até mesmo os que já estão no mercado, esse círculo vicioso torna a busca por um espaço ainda mais complicada, pois ou eles cedem as exigências da indústria ou tentam batalhar sozinhos até terem a sorte de serem reconhecidos por seu trabalho. Obviamente, o caminho mais comum é ceder a “moda” atual da indústria e exemplos não faltam na nossa cultura. Uma das bandas de rock mais importantes do Brasil, os Titãs, resolveram “aliviar” o som, pois seus últimos discos não faziam mais o sucesso esperado pela gravadora, hoje a banda pratica um pop/rock que não tem mais a mesma força de seus primeiros discos e desde o disco “Acústico MTV” não conseguem emplacar algum com grandes vendas, ficando sempre atrás de novas bandas da cena, como Jota Quest e Charlie Brown Junior.

A mídia constrói e destrói ídolos a seu bel prazer e poucos são aqueles que chegam a um patamar onde podem realmente escolher os passos que devem tomar, a pré-fabricação de artistas é apenas uma das facetas da indústria do entretenimento em massa, que já descobriu como fazer fábricas de artistas, basta dizer ao povo o que ele deve ouvir.

Referências

Sites:

Boys Bands

Girl Group

Menudo

Spice Girls






















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