Sorte com carros
A minha boa sorte com veículos de 4 rodas é notável. Em três anos de carteira, já foram 2 acidentes sérios (o carro não andava, mas ninguém se feriu) e mais algumas diversas batidas mais leves (algumas por minha culpa outras não), sem contar, é claro, as coisas absurdas que costumam acontecer quando eu estou no volante.
Domingo, de noite, chuva forte, visibilidade quase zero, em alta velocidade na rodovia, surge de repente uma alma atravessando a pista empurrando uma bicicleta, sem nem perceber o que vinha ao encontro dele. Se ele olhasse, provavelmente ia ver um esqueleto vestindo um manto negro e com uma foice na mão, dizendo “VENHA PRA CÁ”, com aquela voz de caixão cheio de pó (você consegue imaginar uma voz de caixão empoeirado?). Mas na verdade era eu no volante, morto de susto mas ainda com reflexos o suficiente pra me manter na pista e rezar pra ele passar rápido o suficiente, já que se eu freiasse o carro ia pro brejo (na verdade, pro mangue).
Esse sábado não poderia ser diferente. Saí da casa da patroa pela frente do shopping, o engarrafamento estava terrível. No anda-e-pára do caminho, dei uma olhada no medidor de gasolina do carro (eu tinha acabado de colocar 30 reais no tanque) e ele estava marcando praticamente vazio. Me desesperei, ia ficar no meio da rua e sem gasolina, vergonha dupla. Não tinha mesmo o que fazer, continuei esperando no anda-e-pára, até que finalmente consegui sair.
Parti correndo pra o posto de gasolina mais próximo e a luz da bateria estava acesa, o que indicava que a bateria estava com problemas, mas o meu maior problema na hora era a gasolina. Parei no posto e mandei o frentista colocar mais 15 reais, o suficiente pra chegar em casa. Ele terminou, eu paguei e tentei ligar o carro. Nada. Nem um salto. Nem um barulho. O lugar mais calmo do mundo. O carro morreu, não ligava mais.
Pedi ajuda ao frentista pra tentar sair de segunda e funcionou. Saí, dessa vez ainda mais apressado, com medo de ficar na rua mais uma vez e, de repente, no meio de uma das ruas mais movimentadas de João Pessoa (a Epitácio Pessoa), o carro todo apaga. Todas as luzes deixam de funcionar e eu fico na mais completa escuridão. Todos os marcadores deixam de funcionar e até pra passar as marchas eu tinha que ficar escutando o barulho do motor. Perfeito, só faltava agora aparecer uma batida da PM pra me parar e tomar a minha carteira.
Segui no caminho, com tudo no escuro e o carro querendo ficar no meio da rua, sem contar o medo de ser pego por algum agente de trânsito e ganhar mais o presente da multa, mas cheguei em casa inteiro (pelo menos as mãos né, que eu to digitando aqui
). Acho que tem alguém querendo muito que eu não dirija mais na minha vida… imagina, meu sonho desde criança é ser piloto de corrida! Desse jeito eu não passo nem da primeira
(Tem coragem de andar comigo no volante?
)