Últimas Palavras

December 3, 2005

Herói - Ying Xiong

Zhang ZiyiCores. Cores fazem o mundo gritar no silêncio e a sua ausência pode fazer um grito silenciar-se. Enquanto o ocidente ainda busca de todas as maneiras imitar a harmonia das cores na natureza, o oriente sabe se aproveitar dessa beleza, montando um mundo de sonhos. Assim é “Herói” de Zhang Yimou.

A história se passa na China antiga, em uma época quando estava divida em sete reinos. O rei de Qin (Chen Daoming), o maior de todos os reinos, estava a dez anos sendo ameaçado por ataques e por três assassinos dos reinos rivais, Espada Quebrada ( Tony Leung Chiu Wai ) , Céu (Donnie Yen) e Neve Que Voa (Maggie Cheung), porque ele queria unificar todos os reinos em um só e desejava até ir além disso, reunindo ainda mais terras sobre o seu poder.

Jet-LiCerto dia surge Sem Nome (Jet-Li), um magistrado de uma cidade pequena do seu reino, com as três armas dos assassinos vencidos em combate. Ele conta ao rei a história de como conseguiu vencer os três, mas o rei contesta as histórias. Todo o filme se passa em flashbacks sobre o que o rei e Sem Nome contam.

O filme é, assim como O Clã das Adagas Voadoras, um deleite para os sentidos. As cenas fluem com uma naturalidade incrível e as cores utilizadas contam uma história aparte dentro do próprio filme. Diferentemente de “O Clã…”, onde existe uma predominância do verde, em “Herói”, a cada flashback uma cor é escolhida como base, para aumentar ainda mais o simbolismo e a mensagem passada pela cena. As cores escolhidas foram vermelho (paixão), azul (amor), verde (juventude), branco (verdade) e preto (morte).

ExércitoAlém do tratamento especial para as cores, as lutas também são uma maravilha a parte, mostrando as produções americanas (leia-se: Star Wars) como é que se faz um verdadeiro balé com espadas, lanças e flechas. Nos combates não existe apenas a preocupação com os personagens envolvidos, mas também com o lugar onde a luta está acontecendo, como a luta entre Lua e Neve que Voa, onde as folhas se espalham para todos os lados, criando uma sensação de força mas ao mesmo tempo de harmonia. Não se engane pensando que o filme é uma seqüência de lutas sem sentido, os guerreiros são tão sensíveis quanto qualquer ator de dramas famosos em Hollywood e mostram amor, ódio, sacrifício e traição no decorrer do filme, sem em nenhum momento soarem forçados ou piegas.

FlechasFechando a perfeição vem a caracterização, especialmente as roupas “frouxas”, de tecidos espaçosos, que conferem um movimento solto, preenchendo a tela de uma forma diferente. Além disso existe a sempre presente música oriental, que, também diferentemente de “O Clã…”, aparece mais como música ambiente, a não ser em momentos específicos, como a incrível luta de Céu e Sem Nome.

Mais uma vez, não á ao cinema esperando um enlatado americano, muito menos um épico cheio de lutas entre exércitos, o filme é uma luta entre dois homens, duas consciências em lados opostos, que se digladiam com palavras em uma luta honrada pelo bem de um povo.

O que é que você ainda está esperando? Vá ver o filme!

Comentários »

A URI para o TrackBack deste texto é: http://ghostoffreedom.blogsome.com/2005/12/03/heroi-ying-xiong/trackback/

Ainda não existem comentários.

RSS para comentários deste texto.

Deixe sua opinião!

Parágrafos automáticos, e-mail não é mostrado, HTML é permitido: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <code> <em> <i> <strike> <strong>























Creative Commons License
O conteúdo textual deste site (a não ser que definido outra coisa no próprio texto) está sobre a licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 2.0 Brazil License. Imagens, marcas e outros são propriedade de seus respectivos donos e estão utilizadas aqui com intuito meramente informativo.